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Artigo: Por uma volta às aulas segura

Uma das primeiras medidas adotadas pelos estados e municípios durante a pandemia foi a suspensão das aulas. A preocupação com crianças e adolescentes era justa e a decisão foi a melhor escolha diante do risco desconhecido de contágio. Passados seis meses de escolas fechadas, é razoável manter os estudantes fora de sala de aula?

 

Uma pesquisa realizada com 33 mil alunos no Brasil mostrou que metade deles pensa em desistir do Enem e um terço cogita abandonar a escola definitivamente. Não é possível sequer calcular o impacto social e econômico dessa equação. Os dados alarmantes comprovam que a discussão deve ser técnica, sem partidarismos ideológicos, baseada em evidências científicas.

 

Levantamento realizado pelo Vozes da Educação acompanhou indicadores de retomada das aulas presenciais em 20 países, com representação em todos os continentes. Apenas dois precisaram voltar atrás da decisão, justamente aqueles que adotaram protocolos menos rígidos de distanciamento, rodízio de alunos e redução do dia escolar.

 

Outro estudo, elaborado por uma equipe de especialistas em Saúde e Educação do país, coordenada pelo doutor Fábio Jung e o epidemiologista Wanderson Oliveira, analisou os reflexos da reabertura em 15 nações.

 

Um ponto chama a atenção nos dois materiais: as escolas estiveram na primeira onda de reabertura na maior parte dos países, antes de lojas, shoppings, restaurantes e campeonatos de futebol. Todos que reabriram as escolas durante o declínio da curva de contágio tiveram sucesso, provando que o Espírito Santo toma a decisão correta ao estabelecer protocolos, prazos e etapas para a retomada.

 

Nenhum dos países analisados apresentou variação expressiva nas taxas de transmissão ou aumento de óbitos. Isso ocorre porque as crianças representam apenas 2% dos casos globais de covid e a taxa de mortalidade é 37 vezes menor que entre adultos. A baixa infectividade também contribui para que não sejam grandes transmissores da doença, como temíamos no início da pandemia.

 

Não podemos esquecer do impacto das escolas fechadas na saúde mental das crianças, na ampliação da desigualdade e no impacto econômico, sobretudo entre mulheres pobres, que representam maior parcela dos demitidos durante a pandemia. Debater a urgência da volta às aulas é cuidar de quem mais precisa, enfrentar o problema com coragem e não se omitir diante da dificuldade.

 

Felipe Rigoni é mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Oxford e deputado federal pelo Espírito Santo

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